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Tame Impala - Lonerism
7 de dezembro de 2012
4 de dezembro de 2012
Vão acabar com o Câmara Clara e eu quero peticionar
“Maldita a hora em que fui parar à secção de cultura!” dirá amiúde a Paula Moura Pinheiro, uma tipa que, entre muitas outras coisas, costuma discutir a questão dos novos escritores de países ex-colónias, assunto do qual não quero saber para nada, sem que ainda assim isso me não me impeça de dizer que o Mia Couto, escritor nativo de uma ex-colónia, escreve livros merdosos, que nunca li, mas cujo discurso do autor sobre os mesmos, me basta para perceber o grau de merdice, no contexto das merdices que esse autor de merdices escreve. Ser culta profissional, como a Paula Moura Pinheiro, deve ter transformado a sua vida num inferno de estreias, inaugurações, colóquios, lançamentos, debates e outro exercícios aeróbicos obrigatórios na vida de qualquer intelectual que se preze e que não lhe devem deixar muito tempo para se dedicar às tarefas que as pessoas que não são cultas profissionais têm que desempenhar com mestria, como ir chatear o sapateiro porque as meias solas já deviam estar prontas ou levar o carro à inspecção num dia de semana a meio da tarde. Tivesse ela ido parar à secção de desporto e estaria hoje a ter que entrevistar dirigentes sabujos, futebolistas com ar de bandidos e treinadores ignorantes, mas teria uma vida muito mais sossegada do que aquela que agora tem, pontuada por uma agenda ocupadíssima com assuntos muitíssimo interessantes e absolutamente imperdíveis. O desporto seria muito mais fácil. Vejam aquela parvinha, cujo nome desconheço, que apresenta programas de bola na TVI e passa o tempo todo, mas mesmo a todo, a rir, fazendo com que mudemos imediatamente de canal com um sentimento de comiseração pelos convidados do programa que, desgraçados, têm que ficar até ao fim a assistir a uma pateta para quem um cartão amarelo no fim do jogo, serve para se rir dois minutos seguidos, antes de perguntar ao Pedro Henriques – um gajo que devia ser obrigado a divulgar a morada do seu barbeiro – se o cartão foi bem mostrado. E depois de o Pedro Henriques dizer que o cartão “se aceita, dado o critério apertado do árbitro” volta a rir mais 7 minutos por causa da palavra apertado, prova evidente da sua falta de humor e de outras coisas.
Quero peticionar congratulando-me pelo facto de o Câmara Clara acabar. Desejo felicidades à carreira da Paula Moura Pinheiro, nos vários ramos e arbustos da área da cultura, mas quero dar o meu contributo de cidadania empenhada, assinando uma petição de regozijo pelo facto de terminar um dos programas de televisão por onde passaram algumas das mais cretinas, ignorantes e vaidosas criaturas dessa constelação fascinante que é o “mundo da cultura”. O facto de o tempo de duração do Câmara Clara poder vir a ser ocupado por esterco televisivo ainda pior do que o Câmara Clara – pior é sempre possível –, isso em nada muda a minha pobre opinião: aquilo era do mais enfadonho, pretensioso e irrelevante que se pode conceber. Àquela hora prefiro ver leoas a tomar conta das crias em programas do tipo BBC Vida Selvagem.
1 de dezembro de 2012
29 de novembro de 2012
Há bons livros publicados em Portugal no séc. XX; não são muitos mas ainda são alguns
Enquanto o alf prossegue a sisífica tarefa de mostrar às pessoas que há livros bons, livros maus, escritores que vale a pena ler, escritores que não vale a pena ler, escritores que não sabem ler e, até mesmo, escritores que não sabem escrever, eu cumpro o meu papel deixando aqui a sugestão de um grande livro agora reeditado.
27 de novembro de 2012
24 de novembro de 2012
Do que nós precisamos é de uma central sindical do bom senso, de uma CGTP que marque muitas greves gerais contra a palermice
Os que acompanham a minha actividade de cronista desde os tempos em que eu usava bibe com o emblema do colégio de freiras onde iniciei a minha fulgurante carreira de filósofo especializado em assuntos que interessam às pessoas e aos economistas, estarão certamente lembrados que a minha posição sobre a União Europeia é vertical e se pode resumir a dois aspectos que eu passo a enunciar por tópicos:
a) é uma instituição que se limita a alimentar-se a si própria sem qualquer benefício útil (60 e tal cêntimos por dia, a cada europeu, é o que custa esta estrutura cujo objectivo é justificar a sua existência enquanto estrutura, sem qualquer interesse para lá da manutenção dessa mesma estrutura);
b) vai acabar por falta de utilidade, excesso de custos de manutenção e inoperacionalidade perante o mais simples dos problemas, restando apenas um acordo sobre trocas comerciais para que não digam que acabou tudo em pó, sem deixar rasto.
Mas até que isso aconteça, ainda há muito Durão Barroso, Olli Rehn ou van Rompuy para alimentar (o bolso) e, por isso, os meus amigos ainda vão ter que levar com mais uns anitos de cimeiras inúteis, acordos para não cumprir, promessas irrealizáveis e burocracia desnecessária e estapafúrdia. Todos estes esclarecimentos, um dia, irão ver a luz da noite num dos tomos das minhas memórias, onde demonstrarei a quem me quiser ler, que as instituições mais relevantes da Europa são o Interrail e o Programa Erasmus. O Interrail porque a ele se deveu o facto de pela primeira vez na vida ter dormido na rua. E o Erasmus porque me permitiu estrear-me em fornicadelas internacionais, embrulhando-me com uma irlandesa da qual, às vezes, ainda me lembro, depois de tantos anos passados.
[dada a importância do momento, espeto aqui um interlúdio epistemológico em tons cor-de-rosa]
Mulher do Arroja: Ó Pedro, olha as torradas que já está a cheirar a fumo!
Arroja: Não são torradas, sou eu que estou a pensar... concluí que a escrita do maradona é muito feminina.
Mas é sobre burocracia desnecessária e parva que eu hoje quero mostrar aqui os meus dotes de analista capaz de perceber os problemas internacionais como deve ser, embora sem paciência para ir à TV explicar as coisas às pessoas. Estava eu a ler online um jornal que nem sequer faz parte das minha leituras regulares e deparo-me com esta notícia.
Sendo informação vinda de Bruxelas, não cometi a displicência de achar que se tratava de uma brincadeira de carnaval ou uma mentira do dia 1 de Abril em Novembro. A EU já nos habituou a notícias destas que são mesmo para levar a sério, por serem mesmo verdade. Estou-me a lembrar que a uniformização das matrículas dos automóveis, por exemplo, começou por suscitar gozo e… uns anos mais tarde, aí estava ela. Tal como a proibição de favas no bolo-rei também pareceu uma peta de 1 de Abril e depois veio mesmo a ser verdade. A estratégia é sempre a mesma: lança-se o disparate, espera-se uns tempos até que as pessoas se habituem a ele, e depois, quando a malta já estiver entretida com outra coisa, publica-se a lei e toca a cumprir se quiserem continuar a receber o subsidio.
A EU é composta por uma quantidade de ursos inúteis, cuja função é usarem os pequeninos cérebros que possuem, para parir ideias que mais não servem que justificar o salário desses mesmos inúteis e chagar as outras pessoas. Kafka, para lá de ter sonhado que acordava insecto, também sonhou que seria cidadão da EU, essa da bandeirinha azul com estrelinhas amarelas.
Agora são os livros dos cinco e toda a literatura infantil que refira modelos de famílias felizes. Faz-me lembrar um daqueles idiotas LGBT que um dia vi a dizer que a ficção portuguesa devia ser obrigada a incluir todos os tipos de famílias e de comportamentos sexuais para que isso servisse o combate contra a descriminação. Nem liguei muito, achei que ele se estava a oferecer para guionista de telenovelas, mas parece que não: estava mesmo a falar a sério.
Esta inútil EU, que não foi, nos últimos 20 anos, capaz de resolver um único problema politico, financeiro, militar etc. é a mesma que cada vez gasta mais dinheiro para se sustentar e cujo comportamento cada vez mais se distancia das necessidades dos europeus, esses que vivem e sobrevivem nalguns países aos quais saiu a fava de serem governados por cérebros como Sócrates, Merkel, Zapatero, Berlusconi, Rajoy, Sarkozy, Passos Coelho, etc., os nomes poderiam ser muitos porque a tralha é imensa. Agora até querem acabar com o programa Erasmus. Eu sei que o programa Erasmus poderá ser caro, mas não tenham dúvidas que é uma forma muito eficaz de muita gente abrir a pestana, sobretudo percebendo que na Europa os países (e os traseiros das gajas) são muito diferentes e é dessa diferença, que os burocratas bruxelenses odeiam, que a Europa se faz.
É preciso ter um cérebro preenchido com caca de galinha e uma visão que não alcance mais do que 15 cm à frente do nariz, para se lembrar que a porra dos livros para crianças deverá, por obrigação, incluir o ultimo grito da moda em matéria de experimentalismo social, só porque é politicamente correcto dar vazão a todo o tipo de ideias, venham elas de onde vieram, tenham elas a utilidade que tiverem. O ideal de história infantil para esses luminosos pensadores será qualquer coisa deste tipo:
Os Cinco Resgatam a Criança
João, Adérito e Bruninho são três homens que têm uma relação poliamorista homossexual. Vivem também com o Cláudio – filho biológico do João e de uma prostituta de quem ele em tempos foi chulo. Essa prostituta esconde Cláudio para fugir com ele para Bali, local para onde quer ir viver com um ex-cliente agarrado à coca, depois de ter decidido deixar a prostituição. Os cinco descobrem onde está a criança e informam a polícia que retira a criança à ex-porstituta e a entrega a uma família de acolhimento constituída por um alcoólico que vive do RSI e uma empregada de limpeza, cuja actividade principal é apanhar porrada do marido depois de ter andado o dia inteiro a trabalhar para o ajudar no pagamento da conta da taberna onde ele passa o dia inteiro a consumir uma bebida alcoólica feita a partir de uvas. Por fim, a mãe da Zé aceita acolher o Cláudio e os cinco ficam todos muito contentes porque o Cláudio adora brincar com o Tim.
Digam lá que não era uma grande malha. Se eu escrevesse este livro, tornar-me-ia o sucesso da pequenada. Mas eu não quero. O meu sonho agora é ser uma escritora suburbana, que escreva livros para sopeiras sobre taradices sexuais e vender muitos livros, fazer tournées, receber jornalistas nas suites de hotéis caros e dar peidos baixinho só para os chatear com o cheiro, e poder mandar pó caralho quem me apetece apenas por ser um escritor que vende muito.
Vou preparar as minhas calças de chuva; tenho um torneio amanhã.
a) é uma instituição que se limita a alimentar-se a si própria sem qualquer benefício útil (60 e tal cêntimos por dia, a cada europeu, é o que custa esta estrutura cujo objectivo é justificar a sua existência enquanto estrutura, sem qualquer interesse para lá da manutenção dessa mesma estrutura);
b) vai acabar por falta de utilidade, excesso de custos de manutenção e inoperacionalidade perante o mais simples dos problemas, restando apenas um acordo sobre trocas comerciais para que não digam que acabou tudo em pó, sem deixar rasto.
Mas até que isso aconteça, ainda há muito Durão Barroso, Olli Rehn ou van Rompuy para alimentar (o bolso) e, por isso, os meus amigos ainda vão ter que levar com mais uns anitos de cimeiras inúteis, acordos para não cumprir, promessas irrealizáveis e burocracia desnecessária e estapafúrdia. Todos estes esclarecimentos, um dia, irão ver a luz da noite num dos tomos das minhas memórias, onde demonstrarei a quem me quiser ler, que as instituições mais relevantes da Europa são o Interrail e o Programa Erasmus. O Interrail porque a ele se deveu o facto de pela primeira vez na vida ter dormido na rua. E o Erasmus porque me permitiu estrear-me em fornicadelas internacionais, embrulhando-me com uma irlandesa da qual, às vezes, ainda me lembro, depois de tantos anos passados.
[dada a importância do momento, espeto aqui um interlúdio epistemológico em tons cor-de-rosa]
Mulher do Arroja: Ó Pedro, olha as torradas que já está a cheirar a fumo!
Arroja: Não são torradas, sou eu que estou a pensar... concluí que a escrita do maradona é muito feminina.
Mas é sobre burocracia desnecessária e parva que eu hoje quero mostrar aqui os meus dotes de analista capaz de perceber os problemas internacionais como deve ser, embora sem paciência para ir à TV explicar as coisas às pessoas. Estava eu a ler online um jornal que nem sequer faz parte das minha leituras regulares e deparo-me com esta notícia.
Sendo informação vinda de Bruxelas, não cometi a displicência de achar que se tratava de uma brincadeira de carnaval ou uma mentira do dia 1 de Abril em Novembro. A EU já nos habituou a notícias destas que são mesmo para levar a sério, por serem mesmo verdade. Estou-me a lembrar que a uniformização das matrículas dos automóveis, por exemplo, começou por suscitar gozo e… uns anos mais tarde, aí estava ela. Tal como a proibição de favas no bolo-rei também pareceu uma peta de 1 de Abril e depois veio mesmo a ser verdade. A estratégia é sempre a mesma: lança-se o disparate, espera-se uns tempos até que as pessoas se habituem a ele, e depois, quando a malta já estiver entretida com outra coisa, publica-se a lei e toca a cumprir se quiserem continuar a receber o subsidio.
A EU é composta por uma quantidade de ursos inúteis, cuja função é usarem os pequeninos cérebros que possuem, para parir ideias que mais não servem que justificar o salário desses mesmos inúteis e chagar as outras pessoas. Kafka, para lá de ter sonhado que acordava insecto, também sonhou que seria cidadão da EU, essa da bandeirinha azul com estrelinhas amarelas.
Agora são os livros dos cinco e toda a literatura infantil que refira modelos de famílias felizes. Faz-me lembrar um daqueles idiotas LGBT que um dia vi a dizer que a ficção portuguesa devia ser obrigada a incluir todos os tipos de famílias e de comportamentos sexuais para que isso servisse o combate contra a descriminação. Nem liguei muito, achei que ele se estava a oferecer para guionista de telenovelas, mas parece que não: estava mesmo a falar a sério.
Esta inútil EU, que não foi, nos últimos 20 anos, capaz de resolver um único problema politico, financeiro, militar etc. é a mesma que cada vez gasta mais dinheiro para se sustentar e cujo comportamento cada vez mais se distancia das necessidades dos europeus, esses que vivem e sobrevivem nalguns países aos quais saiu a fava de serem governados por cérebros como Sócrates, Merkel, Zapatero, Berlusconi, Rajoy, Sarkozy, Passos Coelho, etc., os nomes poderiam ser muitos porque a tralha é imensa. Agora até querem acabar com o programa Erasmus. Eu sei que o programa Erasmus poderá ser caro, mas não tenham dúvidas que é uma forma muito eficaz de muita gente abrir a pestana, sobretudo percebendo que na Europa os países (e os traseiros das gajas) são muito diferentes e é dessa diferença, que os burocratas bruxelenses odeiam, que a Europa se faz.
É preciso ter um cérebro preenchido com caca de galinha e uma visão que não alcance mais do que 15 cm à frente do nariz, para se lembrar que a porra dos livros para crianças deverá, por obrigação, incluir o ultimo grito da moda em matéria de experimentalismo social, só porque é politicamente correcto dar vazão a todo o tipo de ideias, venham elas de onde vieram, tenham elas a utilidade que tiverem. O ideal de história infantil para esses luminosos pensadores será qualquer coisa deste tipo:
Os Cinco Resgatam a Criança
João, Adérito e Bruninho são três homens que têm uma relação poliamorista homossexual. Vivem também com o Cláudio – filho biológico do João e de uma prostituta de quem ele em tempos foi chulo. Essa prostituta esconde Cláudio para fugir com ele para Bali, local para onde quer ir viver com um ex-cliente agarrado à coca, depois de ter decidido deixar a prostituição. Os cinco descobrem onde está a criança e informam a polícia que retira a criança à ex-porstituta e a entrega a uma família de acolhimento constituída por um alcoólico que vive do RSI e uma empregada de limpeza, cuja actividade principal é apanhar porrada do marido depois de ter andado o dia inteiro a trabalhar para o ajudar no pagamento da conta da taberna onde ele passa o dia inteiro a consumir uma bebida alcoólica feita a partir de uvas. Por fim, a mãe da Zé aceita acolher o Cláudio e os cinco ficam todos muito contentes porque o Cláudio adora brincar com o Tim.
Digam lá que não era uma grande malha. Se eu escrevesse este livro, tornar-me-ia o sucesso da pequenada. Mas eu não quero. O meu sonho agora é ser uma escritora suburbana, que escreva livros para sopeiras sobre taradices sexuais e vender muitos livros, fazer tournées, receber jornalistas nas suites de hotéis caros e dar peidos baixinho só para os chatear com o cheiro, e poder mandar pó caralho quem me apetece apenas por ser um escritor que vende muito.
Vou preparar as minhas calças de chuva; tenho um torneio amanhã.
21 de novembro de 2012
Gostei tanto de ler este livro que até me doeu saber que em tempos ele esteve à venda a uns metros de distância dos "livros" da Rita Ferro
Sei que posso ser acusado de não cumprir o meu dever, ao publicar muitos posts de imagens e com poucas palavras. Mas é assim a vida: compenso-vos em breve, assim que possa.
19 de novembro de 2012
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