20 de abril de 2013

Também faço citações longas, sobretudo quando é para falar das porcarias do Peixoto e da Vasconcelos



“É assim que dizemos bye-bye a Paula Rego enquanto acolhemos com veneranda deferência Joana Vasconcelos no Palácio da Ajuda ou assistimos mudos e quedos ao assassínio de “Os Lusíadas” por José Luís Peixoto. Não me interpretem mal. Eu sei que, à luz da ciência moderna, provar que um verso de Camões vale mais do que 500 frases de Peixoto é tarefa inglória. Tão inglória como provar que o truque dos tamanhos XL da Joana Vasconcelos não passa disso mesmo: de um truque. Mas isto: “Tágides do Tejo, ninfas de ninfetice total... emprestem-me ainda um resto do vosso ninfetismo...”?! Por muito menos escreveu Almada o manifesto Anti-Dantas e Por Extenso.”

Ana Cristina Leonardo, Expresso, 20 de Abril de 2013

17 de abril de 2013

Abençoados os pobres de espírito que andam no google à procura de saber quem é o Poiares Maduro: deles será o reino das nuvens

 
Porque em vez de andarem a googlar Poiares e Lombas, deviam ter assistido à entrevista que a Judite de Sousa fez ao poeta caçador Manuel Alegre. Eu também não sei quem é o Poiares Maduro e, do Lomba, apenas sei que é um daqueles chatos com opinião sobre as merdas todas, dizendo banalidades sobre essas mesmas merdas, sempre com a etiqueta de jurista na testa para com isso conferir mais credibilidade às merdas que diz sobre as merdas.

O que distingue as pessoas de bem das outras pessoas que não sendo de bem também não são de mal e que são apenas, diríamos, pessoas que andam entretidas as tratar da vidinha e não estão preocupadas em saber quem são estes brilhantes jovens juristas que estão a “assumir cargos governativos”, é que as pessoas de bem não estão minimamente interessadas em saber desses e de outros brilhantes jovens juristas – vejam lá se conseguem ler isto sem se rirem – e reagem com indiferença a essas historietas que interessam aos brilhantes jovens juristas, às suas daqui em diante ainda mais promissoras carreirinhas políticas e às mãezinhas dos ditos cujos que agora já podem dizer às amigas que têm um filho no governo.

Dando largas à minha reconhecida simpatia, divulgo a todo o planeta que acabo de constatar que a entrevista da Judite ao poeta caçador – da qual só assisti a 10 minutos, lamento - teve preciosidades que não deveriam escapar aos espíritos ávidos de conhecimento e que se interessam pelos problemas da arte em geral e da poesia simbólico-revolucionária em particular. A vida não se faz só de análises jurídico-astrológicas à Europa, em papers de 12 páginas publicados na net, embora o colega alf tenha retirado tempo à leitura de escritores russos para analisar, brilhantemente, diga-se, (nós os filósofos somos exactamente como esses brilhantes jovens juristas que escrevem em blogs: todos muito amigos e sempre a passar uma esponjinha pelos sapatos uns dos outros) o paper do brilhante jovem jurista que agora vai uns meses para o governo, para sair de lá ainda mais brilhante, mais jovem e mais jurista. Aliás, só falta vir o Pedro Adão e Silva ou Adão da Silva, vir dizer que se trata de dois brilhantes jovens juristas, aliás como ele, também brilhante jovem jurista, ou sociologista ou pai-de-santo, ou lá que raio é que ele é. Mas tudo bem, o Adão da Silva patina a valer é quando se põe a falar de música com ares de crítico e conhecedor. Que continue a falar de politologia que aí as patetices que diz passam ao lado de toda a gente com um pingo de juízo.

Chega de brilhantes jovens juristas. Vou entregar os meus dotes hermenêuticos ao poeta caçador. Porque quem diz que “A arte é uma constante pergunta. É a busca do sentido” merece mais atenção do que brilhantes jovens juristas que publicam papers sobre integração europeia em sites obscuros.

Ia mas já não vou. Seria a altura de esgalhar mais 3000 caracteres sobre o sentido que o poeta caçador procura na arte. Mas não consigo por manifesta incapacidade intelectual (e essas coisas) da minha parte. E por isso, termino aqui o meu ensaio. Boa noite e boa integração europeia a todos.

10 de abril de 2013

All the money in the world couldn't buy back those days





Well... you didn't wake up this morning,
'cause you didn't go to bed.
You were watching the whites of your eyes turn red.
The calendar on your wall is ticking the days off.

You've been reading some old letters.
You smile and think how much you've changed.
All the money in the world couldn't buy back those days.

You pull back the curtains, and the sun burns into your eyes.
You watch a plane flying across a clear blue sky.
This is the day your life will surely change.
This is the day when things fall into place.

You could've done anything, if you'd wanted.
And all your friends and family think that you're lucky.
But the side of you they'll never see
Is when you're left alone with the memories
That hold your life together like -- GLUE

You pull back the curtains, and the sun burns into your eyes,
You watch a plane flying across a clear blue sky.
This is the day your life will surely change.
This is the day when things fall into place.

This is the day your life will surely change...


29 de março de 2013

Afinal o TV Rural sempre regressou


Por coincidência cósmica, verificou-se o facto eu estar no Grande Auditório da FCG a assistir a isto:




e a isto:



 
à hora a que o Sócrates estava na RTP lá com aquele número de circo que, hoje, até pessoas com cérebro dedicaram tempo a analisar. Não faço a mínima do que ele disse, a não ser o que vem nos títulos dos jornais online. Mas há uma coisa que merece que eu escreva este micro-ensaio: 1,6 milhões de almas a ver aquela merda, dando de barato que pode ter sido um pouco mais ou um pouco menos.

A única coisa de relevante é a atitude dessas pessoas; isso é que merecia análise. E não é política, é analise psiquiátrica, pois só alguém completamente passado dos carretos é que aguenta aquele misto de encenação, mentira, má-educação congénita e burrice que são as entrevistas transformadas em tempos de antena do Sócrates nas televisões. Não estavam muito melhor a ver a telenovela da TVI ou outra porcaria qualquer que, comparada com Sócrates, seria certamente mais interessante?

Como afirmei já algumas vezes nas minhas obras, sou a favor da censura: acho que estudantes de mestrado em ciência política em universidades francesas devem ser censurados nas televisões - o que é ciência politica?, perguntam vocês, e perguntam bem porque ninguém com dois dedos de testa sabe o que é. Ainda por cima, àquela hora há adolescentes e crianças a ver televisão; imaginem que vêem aquilo durante alguns minutos... Assim evitavam-se males maiores.

Há uns tempos houve uns deputados que queriam o regresso do TV Rural. É isso: começou ontem com uma hora dedicada à temática do gado bovino, com entrevista e tudo,  coisa que nem o Eng. (verdadeiro engenheiro) Sousa Veloso conseguiu.

27 de março de 2013

Não sou o único filósofo apreciado pelo sector feminino, vulgo gajas

Uma amiga minha, pouco dada aos desenvolvimentos da filosofia contemporânea, perguntou-me quem era o Richard D. Precht. Um colega meu, respondi-lhe.



Tenho que vos falar mais vezes do Thomas Bernhard; lembrem-me, caso me esqueça





Antes da forma está o conteúdo. Pessoas que não têm prestado atenção à minha obra, tendem a não perceber isto. A embrulhos não ligo muito; servem-me para o que sempre serviram desde que me conheço: rasgar para ver o que está lá dentro. Tamanho 12 misturado com 14, paginação inventiva, divisão em capítulos, pontuação, minúsculas em vez maiúsculas... Para se ser escritor em Portugal, com obra publicada, está visto que é mais importante saber de design do que de literatura.

Thomas Bernhard, escrevia pelo conteúdo e não para o embrulho, mesmo que isso desse nas 516 páginas sem parágrafos de Extinção, ou numa belíssima história com tão poucas palavras como esta.



Pisa and Venice


The mayors of Pisa and Venice had agreed to scandalize visitors to their cities, who had for centuries been equally charmed by Venice and Pisa, by secretly and overnight having the tower of Pisa moved to Venice and the campanile of Venice moved to Pisa and set up there. They could not, however, keep their plan a secret, and on the very night on which they were going to have the tower of Pisa moved to Venice and the campanile of Venice moved to Pisa they were committed to the lunatic asylum, the mayor of Pisa in the nature of things to the lunatic asylum in Venice and the mayor of Venice to the lunatic asylum in Pisa. The Italian authorities were able handle the affair in complete confidentiality.

Thomas Bernhard